quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

P204: OS NOSSOS DEZEMBROS

10-Dez-70 / Op. "BRAVO GUERREIRO"
14-Dez-70 / Op. "DIAMANTE INDIANO"
15-Dez-70 / Levantadas 6 minas A/P em Padada
16-Dez-70 / Deslocação em viatura até Padada para recolha de força pára-quedista
21-Dez-70 / Op. "ATIRADOR FANTASMA"
26-Dez-70 / Op. "INDIANOS NATIVOS"
28-Dez-70 / Op. "PATRULHAS ÚNICAS"

10-Dez-71 / Op. "ENTUSIASMO JOVEM"
28-Dez-71 / Op. "BANANA GIGANTE"
30-Dez-71 / Op. "ARMADILHA FAMOSA"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

P203: ROSTOS MASCULINOS DE DULOMBI

Mais uma excelente compilação de fotos a cores (as a preto e branco pertencem ao meu espólio) hoje versando o tema: Rostos masculinos.

Foto 1 - Homem sentado utilizando o rabo de gazela como "espanta-moscas".
Foto 2 - Homem comendo directamente do próprio tacho que mais não será que uma lata de chouriço anteriormente utilizada na nossa cozinha.
Foto 3 - Parece-me, pela indumentária, o "pároco" de Dulombi. Como se recordarão existia uma mesquita, pelo que provavelmente será o imã da Mesquita.
Foto 4 - Homem transportando bicicleta empanada ao longo da bolanha. Aqui os papeis invertem-se; em vez de ser a bicicleta a transportar o indivíduo, verifica-se o contrário.
Foto 5 - Jovens transportando baldes à cabeça, encontrando-se o Lemos em primeiro plano.
Foto 6 - Jovem de túnica branca e com uma espécie de guizo, preparado para a circuncisão.
Foto 7 - Artesão elaborando colheres de pau.
Foto 8 e 9 - Ferreiro que elaborava catanas e presumo que uns machados ornamentais como poderão ver no Post 108.
Foto 9a - Que puto tudo janota. Apostava que aquela camisa e aqueles calções terão pertencido a qualquer um de nós. Nós chamáva-mo-lo "Está lá", por conseguinte, o nome dele, verdadeiro, andaria muito perto desta sonoridade.
Foto 9b - Festa do Fanado?
Foto 9c - Homens grandes de Dulombi juntamente com elementos do PAIGC (foto do António Morais)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

P202: UMA AVENTURA


SINOPSE - Nesta obra, Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães relatam-nos a aventura de cinco jovens que na flor da idade, nos finais da década de sessenta, decidem ir viver para um casarão assombrado, cheio de armamento, em Abrantes. Insatisfeitos por se encontrarem confinados a grandes muros, nos inícios dos anos 70, mudam-se para amplos espaços campesinos, em Santa Margarida, onde chegam a cruzar-se com Chaimites e Panzers. Também aqui não se sentem realizados pelo que em Abril de 70 aproveitando um velho barco que habitualmente fazia transporte de gado entre a metrópole e as ilhas açorianas, zarpam até à Guiné na busca de emoções fortes. Aqui, de arma na mão, espalham o terror por onde passam.
Decorridos 23 meses decidem regressar à terra-mãe e desfazem o quinteto divergindo cada qual para diferentes sítios do país, desde o Entroncamento a Canas de Senhorim passando, mesmo, pela Madalena ou pela Capital.
Passados 38 anos de separação decidem reagrupar-se e instalam o terror num restaurante de Sintra.
Este livro é leitura indispensável!!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

P201: OUTROS ROSTOS DE DULOMBI

Antes de mais, estou a cometer uma incorrecção pois não pedi aos visados e ao autor da foto autorização para a sua publicação mas ao visioná-la no Facebook logo me ocorreu colocá-la aqui.
São dois rostos, também estes, marcados por uma sólida amizade alicerçada através dos tempos e com um denominador comum - Dulombi.
No dia em que a foto foi tirada (14/11) o Ramos fazia 62 primaveras.
Nesta foto eu vejo que as sementes lançadas pelo Ramos e pelo Marinho ao organizarem o 1.º Encontro da Companhia nos tempos idos de noventa geraram os seus frutos. Não fora o Ramos e o Marinho e provavelmente hoje andariamos todos tresmalhados sem nos lembrarmos a que Companhia tinhamos pertencido quando estivemos no então Ultramar português a defender o indefensável. Pela minha parte, Obrigado Ramos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

P200: ROSTOS FEMININOS DE DULOMBI

Estes eram alguns dos rostos que repartiam um sorriso quando connosco se cruzavam por qualquer vereda de Dulombi.
Sinceramente, de todas as bajudas que aqui podemos recordar só me lembro da Adam. O Lemos já identificou a Ojuma (sua lavadeira à qual ofereceu o soutien que se vê na imagem), a Azata e a Sira Uri. Quem nos poderá ajudar a identificar as restantes?
Quantas ainda estarão vivas?


Mais uma vez os meus agradecimentos ao Ricardo Lemos por me ter disponibilizado estas fotos, a cores, o que era uma preciosidade para a época em que foram obtidas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

P199: OS NOSSOS NOVEMBROS

03-Nov-70 / Op. "JANTARADA ONDEANTE"
11-Nov-70 / Op. "MANHÃ RADIOSA"
25-Nov-70 / Op. "MENINOS RICOS"
26-Nov-70 / Op. "DRAGÃO INFERNAL"

05-Nov-71 / Op. "DRAGÃO INDIANO"
10-Nov-71 / Termina o reforço de um Grupo de Combate em Galomaro
12-Nov-71 / Op. "ALIANÇA FUTURA"
15-Nov-71 / Flagelação
16-Nov-71 / Op. "CAMINHO HÚMIDO". Juntamente com CCP 121 e C. Caç 2699
28-Nov-71 / Op. "ALDEÃO FORMOSO"

sábado, 30 de outubro de 2010

P198: MISSÃO COMPRIDA CUMPRIDA

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Após um quarteirão de dias de aventura, os nossos heróis chegaram a casa sãos e salvos terminando da melhor forma a "Missão Dulombi".
É caso para dizer: "Obrigado Opel Astra".
Desta meritória expedição teremos, certamente, um exaustivo relato aquando do nosso próximo encontro a realizar, em finais de Abril 2011, em Alferrarede.
O Gil e o Ricardo estão duplamente de parabéns. Por um lado, por terem conseguido concretizar o seu sonho de tornarem mais felizes as crianças de Dulombi; por outro lado, o terem conseguido aquilo que qualquer um de nós pensaria inimaginável: conseguirem levar uma carrinha, de uso citadino, desde Vila do Conde a Galomaro (e Dulombi ali tão perto...).
Depois disto tudo, quem acusará esta malta de "geração rasca"? Os nossos governantes é que os colocam "à rasca".
Gil (como deve estar orgulhoso e feliz o Pai Ramos) e Ricardo, permitam que a 2700 tenha orgulho em Vós.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

P197: ADAM - MÃE DO MUSSA


No Post 195, dedicado ao Mussa, referi que o mesmo era filho do Chefe de Tabanca e da Adam, moça que se distinguia, no escasso universo feminino dulombiano, por ter alguma beleza (seria esta a razão por ter ser sido escolhida para sua esposa pelo Chefe de Tabanca? É que a diferença etária era considerável). A Adam era, também, a lavadeira de alguns dos nossso militares, nos quais me incluo. Depois de ver a sua foto (mais uma vez enviada pelo incansável Lemos ao qual agradeço) fiquei com pena de não ter pedido ao Gil da "Missão Dulombi" que tentasse saber algo dela, o que seria fácil já que esteve com o seu filho Mussa.
Como a expedição do Gil e Ricardo está a gerar dentro da família 2700 um rememoriar de sensações, estou convicto que, em breve, algum de nós rumará até aquelas terras, pelo que desde já ficarão incumbidos de proceder à missão "Á procura de Adam - Uma Aventura na Bolanha".

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

P196: "MISSÃO DULOMBI" E AGORA COMO VAI SER?

Tenho estado a seguir com alguma atenção e curiosidade distantes o desenrolar desta viagem. Esperava nada…absolutamente nada. Estava só a ver.
Até que chegaram fotografias de Dulombi. Todo o meu ser abanou. Aquela do troço da picada entre Galomaro e Dulombi inquietou a minha alma.
As dos monumentos aos mortos arrepiaram todo o meu ser. Então a que tem a bandeira aos ombros com a sugestão de que representa o nosso suor e o nosso sangue transportou-me para lá.
Lembrei-me que não respeitávamos muito a pátria mesmo que consubstanciada na bandeira. Ela (pátria) não era respeitadora e portanto nunca se conseguiu fazer respeitar.

Mas, mesmo assim, as lágrimas espreitaram, e soube-me bem deixá-las correr pela cara abaixo, primeiro devagar e silenciosamente e depois convulsivamente num choro descontrolado.
Durante algum tempo dei largas à descarga de tensões durante tantos anos reprimidas: às das memórias do sofrimento, das da dor, da raiva, da impotência, do ódio, do medo, da cobardia. È verdade, só lutei porque não tive coragem para o não fazer, para permanecer e dizer não.
Quando regressei no fim da minha comissão fiz a mim mesmo a promessa solene de nunca mais lá voltar.
Penso que chegou a hora de a quebrar.
Devo ir lá tentar enterrar os fantasmas dessas memórias que tanto me têm atormentado não permitindo que o meu espírito tenha quietude, tenha paz.

António Barros,
Ex-alferes miliciano da CCAÇ 2700

terça-feira, 19 de outubro de 2010

P195: LEMBRAM-SE DO MUSSA?

O Mussa era um puto com 2/3 anos, filho do Chefe de Tabanca e da Adam (será a grafia correcta?) ternurento a quem em determinada altura coloquei água oxigenada no cabelo do que resultou a criança mais linda que havia em Dulombi (pena as fotos serem a preto e branco). Quando soube que o Gil ia a Dulombi nesta expedição tão meritória, contactei-o de forma a indagar se o Mussa ainda estaria por lá. A missão foi bem sucedida pois embora o Mussa neste momento se encontre a viver em Galomaro, o mesmo incorporou-se na ida a Dulombi e para memória ficam as fotos tiradas neste local. Não sei que recordações, o Mussa, retem da minha pessoa, mas dizer ao Gil que "não hei-de morrer sem ver o alferes Barata" emociona.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

P194: IMAGENS DE UM SONHO REALIZADO

Para ver as imagens devem clicar em: "Veja todas as imagens"

Algumas imagens que retratam a aventura do Gil e do Ricardo rumo a Dulombi. Poderemos ver o troço Galomaro/Dulombi; o Zé Luís (nativo mecânico da nossa Companhia); o Chefe da Tabanca, Culumbali que quando lá estivemos teria já 30 e muitos, 40 anos. Agora, juntem-lhe mais 38 anos e adivinhem a idade que este ancião terá; o forno da padaria que, de todos os equipamentos que nós por lá deixámos, será o único com utilização actual; o mastro da bandeira por lá continua e até um dos postes de uma das balizas do campo de futebol (a baliza completa é do campo de futebol de Galomaro). Em suma, imagens que emocionam. Os meus agradecimentos ao Gil Ramos pela autorização da divulgação das mesmas e por nos ter proporcionado a visualização de locais e memórias que tanto nos dizem. Em: http://www.facebook.com/missaodulombi poderão ver a cobertura total da viagem

sábado, 16 de outubro de 2010

P193: SONHO REALIZADO

Fotomontagem antevendo a chegada da "Chaimite" a Dulombi.


Depois da tentativa de chegarem a Dulombi na própria viatura, a qual só não se consumou por ter chovido copiosamente, transformando o troço Galomaro/Dulombi intransitável para o tipo de viatura em que se transportavam, o Gil e o Ricardo após terem pernoitado em Galomaro, local onde se sentiram uns verdadeiros príncipes tal a forma como foram tratados pelo régulo, regressaram a Bissau.
Hoje, logo pela manhã, partiram de Bissau, num jeep alugado e ainda não era meio-dia já se encontravam a cumprir o sonho a que se tinham proposto: distribuição de artigos de primeira necessidade à população jovem de Dulombi.
Agora é o regresso que vaticinamos seguro depois desta epopeia a todos os títulos louvável.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

P192: MISSÃO DULOMBI - HISTÓRIA LINDA


Quem tem acompanhado a Missão Dulombi, quer através do próprio Blog, quer através da ligação no Facebook terá conhecimento que o Gil e o Ricardo já atingiram a sua primeira meta, isto é, a cidade Bissau. Estou convicto que nunca ninguém terá feito Vila do Conde - Bissau, em viatura auto, em 7 dias, pelo que o seu feito constituirá um record embora não seja esse o motivo que os mova.
Mas a razão deste Post é relatar-vos algo de emocionante. Ao abandonarem território senegalês e quando entram em território guineense o funcionário da Alfândega que os atende, de papeis na mão, fica algum tempo mirando o autocolante que vinha colado na porta da viatura - MissãoDulombi. A palavra Dulombi tocou-lhe. Como o Mundo é pequeno: este funcionário é natural de Dulombi e teria 9 anos quando a 2700 lá estava sedeada. Escusado será dizer que os nossos Heróis ficaram bastante tempo "retidos" na fronteira, mas o motivo, que em situações normais seria penalizante - entenda-se razões burocráticas - pelo contrário, foram minutos de prazer, em que o Gil pode transmitir as razões da missão a que se propõem, ao mesmo tempo que foi transmitindo por onde andam agora aqueles que provavelmente terão tido contactos com aquele miúdo de 9 anos, nascido numa terra de tanta magia para cada um de nós. Incluo fotos onde podemos ver alguns miúdos que deambulavam por Dulombi nos tempos em que nós lá prestámos serviço. Será o funcionário da Alfândega algum deles?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

P191: MISSÃO DULOMBI


Neste momento (12H30) os nossos HERÓIS já ultrapassaram Velingara, no Senegal, e certamente com esta pedalada chegarão hoje à "nossa" Guiné.
Estou emocionado com semelhante jornada. Malta! Enviem-lhes palavras de encorajamento e admiração pelo feito para: 00 221 776654636

domingo, 3 de outubro de 2010

P190: MISSÃO DULOMBI

Obrigatório acompanhar: http://missaodulombi.blogspot.com

http://www.facebook.com/missaodulombi

Sinto que é, também, um pouco de cada um de nós que o Gil (filho do Ramos), qual Gil Eanes do Século XXI, ao longo destes dias, vai transportar até chegar a Dulombi, acompanhado pelo seu primo.
Não tenho palavras para a generosidade desta malta. Boa viagem rapazes.

sábado, 2 de outubro de 2010

P189: OS NOSSOS OUTUBROS


07-Out-70 / Op. "ALFAMA FADISTA"
13-Out-70 / Op. "BRAVOS GALEÕES"
18-Out-70 / Op. "HORTENSE MARAVILHOSA"
27-Out-70 / Op. "INDIO NATIVO"

01-Out-71 / Num patrulhamento ao serviço da CCS morrem nas Duas Fontes, Rogério Soares e José Monteiro
03-Out-71 / Op. "GRANDE LIÇÃO"
05-Out-71 / Accionada mina A/C no itinerário Dulombi/Galomaro. Causou um morto (Luís Fernandes) e 3 feridos
14-Out-71 / Flagelação
20-Out-71 / Mina A/C. 7 feridos
20-Out-71 / Op. "ARMAS FATAIS"
28-Out-71 / Op. "METAL RADIANTE"

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

P188: O ÚLTIMO DERBY

------------------------------------------------ OS GALÁCTICOS DA BOLANHA ---------------------
Dos Piras, reconheço o Comandante, Capitão Pires, entre o Rico e Soares e em primeiro plano o Alferes Dias (qual dono da bola) entre o Alves e o Coronel Carlos Gomes.


Dentre os passatempos por nós utilizados para enganar os tempos mortos que passámos durante a permanência em Dulombi, o futebol terá sido o preferido pela maioria dos elementos que constituiam a nossa Companhia. Para além das futeboladas que pontualmente havia, tipo solteiros contra casados, recordo que quase com uma componente oficial e regulamentar (com árbitro e tudo) se realizavam torneios entre pelotões sendo os elementos das especialidades absorvidos por cada um dos pelotões (recordo-me a este tempo de distância que o Costa de Transmissões equipava pelo meu pelotão porque no desfile de apresentação, em Brá, nele foi inserido). Estes torneios eram disputados de forma renhida e com incerteza até à última jornada sobre o seu vencedor.
Para a história ficam imagens, disponibilizadas pelo Ricardo Lemos, da última peleja realizada em território dulombiano entre alguns graduados dos velhinhos da 2700 contra os piras da 3491.
Reparem no gesto técnico, em elevação, do Ricardo Lemos pedindo meças a qualquer Bruno Alves. De realçar, também a forma decidida como o Meirim bloqueia a bola, sob o olhar atento do Soares.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

P187: NOVO CONTRIBUTO DO ANTÓNIO TAVARES

Depois de ler o P173: - ONOMASTICAMENTE DIVAGANDO, um excelente trabalho, verifiquei que a Fauna da CCS/BCAÇ.2912 também era fraquita com um Carneiro, um Pinto e dois Coelhos: - um Bravo outro Manso, porém as matas do leste da Guiné – Galomaro – eram ricas em coelhos selvagens. Os nossos camaradas, cada um com o seu estilo, não se importavam nada de assim serem tratados e todos os conheciam pelas alcunhas, que nada tinham de depreciativo mas sim de pura camaradagem de combatentes que foram “obrigados” a uma guerra de guerrilha, na Guiné, de 01-05-1970 a 23-03-1972. Em 29-05-2004, na Curia, XI Convívio co-organizado pelo “Coelho Manso”, o Belarmino Coelho - faleceu em 2009 - assinou: “Coelho Bravo”, no meu livro de recordações. Paz à sua alma e à de todos os ex-colegas combatentes falecidos. Na noite de 15-08-1970 foram apanhadas 14 lebres, foto anexa, a maior caçada de sempre, e durante umas refeições os Oficiais e Sargentos comeram bem em Galomaro. O 2.º Sargento H Nobre, Mecânico Auto do BCAÇ.2912, saía ao anoitecer de Unimog com 2 ou 3 homens e regressavam pouco tempo após a saída, porque era presa fácil toda a lebre que aparecesse à frente… as necessidades assim obrigavam a estes disparates de caçadas nocturnas. Um coelho ou lebre custava 10$00 Pesos… um frango, pouco maior do que um pintainho, tinha o preço de 20$00 Pesos… só com a intervenção dos chefes das Tabancas previamente presenteados conseguíamos comprar os frangos. Também praticavam e conheciam a Lei da Oferta e da Procura! O coelho fazia jus à condição de animal reprodutor naquela zona do leste da Guiné. Com toda a certeza que não dava o nome às “coelhinhas” da Playboy nem era o símbolo da Páscoa para uma População - Fulas - Islâmica que praticava o feiticismo nos anos setenta do século passado. Outras Terras…outras Culturas.
Um abraço
António Tavares
Foz do Douro, 19-09-2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

P186: ANDARIAS NUM JEEP REPARADO POR ESTES "MECÂNICOS"?


Aquele conceito tão em voga nos dias que correm já era praticado há muito pela 2700, isto é: a estratégia de flexibilização. O núcleo estável do pessoal da Companhia assumia múltiplas funções, desempenhando trabalhos num momento, tais como o comando de respectivo pelotão, para passar para outros noutro momento - como documenta esta foto - sempre dispostos a reciclagem e alteração dos planos de carreira.

domingo, 19 de setembro de 2010

P185:TRANSFERÊNCIA DO ESPÓLIO DA COMPANHIA

Como todos os outros elementos da Companhia 2700, os “Ferrugentos” também estavam ansiosos pela chegada dos “Piras”.
Os condutores e os mecânicos que compunham o meu “pelotão” tinham trabalhado com afinco, para contribuir e alcançar com honra e competência, os objectivos da nossa Companhia.
A chegada dos “Piras” foi programada ao pormenor – como já realçado no nosso blogue – onde não faltou a R.T.D., conforme mostra a foto abaixo:


















e apetrechada com as mais sofisticadas máquinas de reportagem da altura. Admirem-na na fotografia seguinte:













Para receber com honra e dignidade a nova Companhia, as mais altas individualidades se apresentaram a rigor. O nosso “Capitão” (in, soldado-básico, Post 148), apresentou, em nome da Companhia 2700; as boas vindas a todos os elementos “Piras”, conforme elucida a foto, de grande beleza, apresentada abaixo:


















Depois de alguns dias de apresentação e convívio, a transferência do espólio mecânico começou a ser trabalhada.
Como representante máximo da “Ferrugem”, foi com naturalidade que me coube essa tarefa e, assim, trabalhei com o furriel mecânico Manuel Rodrigues, de Mortágua, (in, Post 159), a transferência do dito espólio.
Ao ler no nosso blogue o Post 39 – Correia, foste aldrabado – ocorreu-me um episódio aquando da assinatura dos respectivos recibos de quitação.
Relembro que o meu espólio era constituído por 17 viaturas Unimog, 1 Jeep, o equipamento gerador de electricidade e muitos outros elementos dispersos pertencentes à oficina-auto, como aparelhos de soldadura oxi-acetilénica, aparelhos de soldadura a arco eléctrico, máquinas de furar manuais, ferramentas de serralharia de bancada e outras ferramentas que faziam parte da caixa-ferramenteira de cada viatura.
Cada condutor era responsável pela sua viatura e ferramentas associadas, assim como manter a mesma sempre com os planos de manutenção em dia, isto é, mudanças de óleo, lubrificação geral, limpezas e demais cuidados diários, para um funcionamento eficaz da “sua” máquina.
Ainda me lembro do nome dos 17 condutores (penso não estar enganado): Veras, Calado, Luís Maria, Costa; José Silva; Manuel Faria; Serafim Vieira; José Carvalho, Alfredo Sá, Domingos Ferreira, Arnaldo Costa, António Cunha, José Maria Silva, Carlos Amaral, Alves Rodrigues, Paiva Guimarães e o Cardoso.
Voltando, então, ao assunto principal, o Furriel Manuel Rodrigues, não quis assinar os recibos de quitação porque…faltavam as “capotas” ou “oleados” dos Unimogs.
Pudera!!! Alguns deles estavam a servir de tapamento da oficina-auto que construímos, outros tinham-se deteriorado com o tempo, e nunca me passou pela cabeça dar baixa dessas “capotas”, o que seria fácil, com a experiência que tinha adquirido.
Directamente, era eu o responsável por esta “falha”, e cada condutor o responsável por esse material.
Mas, quem queria andar nos Unimogs, com caixa tapada? Ninguém, pois era extremamente perigoso. Melhor era sofrer as consequências do tempo. No Inverno, a chuva, no Verão, o pó. E a visibilidade era imprescindível nas colunas…
Então, houve um impasse. Se o Furriel Manuel Rodrigues não assinasse os recibos de quitação, teríamos problemas, inquéritos e pagamento dos objectos em falta.
Como as conversações estavam um pouco complicadas, e eu não tinha meios de fazer “quadruplicar as capotas” como fizeram ao alferes Correia com as chapas de zinco, sacos de cimentos, etc., pensei num outro estratagema.
Como é sabido, ao longo dos 23 meses de Comissão, fui várias vezes a Bissau entregar peças danificadas dos Unimogs e requisitar novas peças de substituição. Bissau não perdoava a entrega dos elementos inutilizados, e só depois é que os substituía pelos novos. È de entender esta atitude, pois o controlo dos destinos dos materiais era, deste modo, muito eficaz.
Só que, com os carros minados que tivemos e outros estratagemas que fui aprendendo ao longo da Comissão, consegui montar um armazém de peças sobressalentes de fazer inveja a muitas oficinas….
Para dar um exemplo, no fim da Comissão tinha 2 motores novos de Unimogs prontos a serem utilizados, vários dínamos, motores de arranque, pneus e jantes novos, um eixo traseiro completo de Unimog, manómetros, termómetros, velocímetros, faróis, farolins e lâmpadas de todas as qualidades, ferramentas e um sem números de pequenas peças sobressalentes para qualquer necessidade menor ou avaria menos complicada, na frota de Dulombi. Enfim, uma quantidade apreciável de peças, que davam para montar um novo Unimog e ainda sobrariam algumas mais.

DAKOTA – das viagens até BISSAU
Então, disse ao Furriel “Pira”: “Essas capotas que faltam são fáceis de justificar a sua deterioração, mas como os recibos de quitação não são assinados, também não poderei, por uma questão de princípio, deixar em Dulombi, todo o espólio de sobressalentes, acima definido, pois não fazem parte da relação a entregar e, portanto, todo esse material, será entregue em Bissau.
O Furriel Manuel Rodrigues, olhou então para mim, com um ar sério e pensando melhor me respondeu: “ Vou falar com o meu Capitão, e amanhã, falaremos”.
E tudo acabou em bem. As peças extras sobressalentes – que realmente eram valiosas pela sua importância futura – ficaram, e os recibos de quitação foram assinados.
Passados alguns dias, a Companhia 2700 regressou a Bissau, nas célebres L.D.G., sendo o cais de Bissau o local do nosso desembarque:













e , depois, em coluna militar, fomos para Cumeré, sem antes passarmos por SAFIM:
(vê-se a placa – Safim)













e no 707 embarcamos para Lisboa:
Penso que ninguém se apercebeu que houve um atraso de cerca de 45 minutos, na partida do avião!!!
Esse atraso foi devido… ora, adivinhem…. À minha pessoa.
Inocente politicamente como era na altura, andava eu a deambular pela gare do aeroporto, quando me apareceu um amigo civil de Bissau que, gentilmente, me ofereceu uma garrafa de Whisky, que aceitei e a coloquei no meu saco de bagagem de mão.
Ora, este pormenor, devia ter sido visto pela polícia política. A dado momento – estava eu à espera do embarque – tocaram-me levemente nas costas e, pronunciando o meu nome, me disseram; “ Sr. Ricardo Lemos acompanhe-me, se faz favor”. Tudo discretamente.
Dirigi-me, então, para um gabinete, onde me revistaram a bagagem novamente, paguei uma fortuna, em escudos, pela oferta do meu amigo, e mandaram-me seguir para o embarque.
À chegada a Lisboa, fui “perseguido”, implacavelmente, por um elemento policial à paisana – notei perfeitamente – que me seguia por tudo quanto era lado…
Lá pensaram que podia ser uma bomba…
O 25 de Abril, com certeza, apagou o meu nome dos Arquivos da PIDE.

Ricardo Lemos
Set. 2010