sábado, 16 de janeiro de 2010

P144: PLAGIANDO LUÍS DIAS


Sinto-me um plagiador mas tocou-me de tal maneira o último post do Luís Dias no Blog da sua Companhia (http://wwwccac3491guine7174.blogspot.com/2010/01/ainda-ha-uisque-da-guine.html) que, também, tive necessidade de escrever algo sobre as nossas "bebidas nobres" na Guiné.
Era considerado como que uma benesse, para quem lutava no Ultramar, ter-se acesso ao whisky e à Coca-Cola, sendo o consumo, desta última, proibido na Metrópole. Havia duas explicações para esta proibição. Uma era a antipatia que Salazar nutria pelos Estados Unidos, país fornecedor do produto, essencialmente, por este mesmo país ser o paladino dos valores democráticos e pelo apoio demonstrado ao direito à autodeterminação dos povos de África e Ásia (não nos esqueçamos que já tinham tido um papel determinante na autodeterminação de alguns povos da América Central). Outra explicação era o facto de na composição da bebida entrar um componente - a cola - que era considerado droga. Devem estar recordados quando nos deslocávamos em operações, aqui e além os mílicias e os guias extrairem de determinada árvore um fruto (presumo que era o fruto) parecido com uma noz, o qual mascavam. A mim, tal, fazia-me confusão até porque para aquilatar o prazer do seu consumo verifiquei que tinha um sabor amargo. Mas eles, autóctones, lá seguiam mascando. Diziam que era para se manterem acordados e acelerados. Pudera!!! A outra benesse era podermos desfrutar de whisky "à fartazana", produto que na Metrópole era caríssimo. Já não me recordo da periodicidade, mas cadentemente chegavam abastecimentos de Bissau com whisky de duas categorias. Uma, corrente (essencialmente Johnnie Walker Red Label e White Horse), que era consumida no dia-a-dia no Bar e também disponibilizada para os praças trazerem quando terminassem a comissão (obviamente nada obstava que o consumissem durante a comissão mas depois não tinham prenda para levar aos familiares) e outra categoria, de "marca de excelência", constituida pela bilha de Old Parr, Johnnie Walker Black Label, J&B (recordo-me que o Ravasco tinha particular apetência por esta marca), Chivas Regal 12 anos, Dimple, garrafa que tinha a particularidade de ser triangular, ondulada e envolvida em fio (foto) e depois vinha o "Porsche dos Whiskies": a bilha de Ye Monks. Ainda conservo esta que vos reproduzo e que me tem criado um problema do "caraças". Tenho vindo a estabelecer metas para a sua degustação, contudo quando essa data chega perco a coragem e ela cá se vai mantendo até aos dias de hoje. Será agora quando nascer a netita Carolina??? Se calhar não, estava assim a discriminar o Tiago!!!
P.S. - Diz o Luís Dias que está a guardar a dele para comemorar quando o Benfica for campeão. Ora bolas! Ao que isto chegou, até o Braga, este ano, lhe vai coartar tal prazer!!!

2 comentários:

Luís Dias disse...

Caro Fernando Barata

O Braga está a jogar forte e bem,e embora haja como que uma cooligação entre o FCP, o SCP e SCB (basta ver o empenho com que o FCP empresta jogadores ao Braga e as vozes consonantes dos comentadores do Porto e do Sporting)o SLB não vai deixar escapar este campeonato e eu vou beber a minha garrafinha de uísque.
O António Morais também me enviou imagens, mas não tantas como tu tens. Irei também colocá-las no blogue.

Um abraço

Luís Dias

António disse...

Os meus amigos, falam de Whisky da Guiné, e se vos apresenta-se um
que poderia estar constantemente a ser aberto, era um velhinho, de cor rúbia, de aromas a canela, essências de especiarias, frutuso, talvez um Escocês envelhecido em casca de carvalho,àh.. não meus amigos era em chapa laminada, nos fornos eléctricos de "Canas de S. a Conselho".
Pois meus caros, nem mais nem menos, no nosso depósito de genéros,existia um bidon cheio deste nectar (herança do Luis Dias)para os Piriquitos, era vinho manteve-se inalterável. Até Já.